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MIAMI muro por Frederico Draw

Transformação social, inovação e diversidade

Filipe Roloff

Customer Success Manager | SAP Labs Latin America | Pride@SAP LAC Leader

“Quando eu saí do armário, foi como tirar um peso enorme das costas”, disse Filipe. Ele finalmente pode relaxar e ser sincero consigo mesmo e com os outros. Algo parecido ele sentiu pela primeira vez quando, ainda adolescente, contou para sua família e seus amigos que era gay. O apoio deles o fortaleceu.

Embora sair do armário nunca seja fácil, no caso de Filipe tudo correu bem. Sua mãe descobriu antes mesmo que ele tivesse contado para ela. Ela havia se aconselhado com um terapeuta para saber como melhor apoiar o filho. Quando chegou a hora, ela estava preparada para abraçá-lo e ajudá-lo a contar a notícia para o resto da família. Os amigos de Filipe também o apoiaram. Era com o trabalho, no entanto, que ele estava insatisfeito. Nascido numa cidadezinha no interior do Sul do Brasil, Filipe já tinha visto as muitas caras da homofobia, mas o mercado de trabalho se destacava por seu conservadorismo.

Filipe ainda cursava Comércio Exterior quando conseguiu seu primeiro emprego no setor privado. Ele não se sentia à vontade e não sabia dizer por quê. Primeiro pensou que talvez a área em que estivesse trabalhando não correspondesse ao que ele de fato queria fazer. Com o tempo, ele se deu conta de que era o ambiente de trabalho o que mais estava contribuindo para a sua insatisfação. “Embora eu estivesse trabalhando para uma multinacional, a mentalidade deles era muito atrasada. Ninguém nem sequer falava em diversidade. ”

No trabalho, Filipe evitava falar sobre sua vida pessoal. Ele acreditava – e, em algumas situações, tinhacerteza – que discutir sua orientação sexual abertamente traria consequências negativas à sua carreira. A necessidade de se esconder acabou por isolá-lo de seus colegas. Evitava se juntar às atividades que eles planejavam para depois do expediente por medo de revelar alguma coisa que não desejava que seus colegas soubessem. “Quando não podemos ser quem realmente somos, acabamos gastando muito do nosso tempo e da nossa energia nos escondendo, e isso impede que nos comuniquemos bem com os outros”.

Nessas empresas, ele viu como a intolerância de qualquer tipo pode ser improdutiva. Mesmo que naquela época Filipe tivesse um bom emprego com um bom salário, ainda assim ele decidiu dar o que ele suspeitava que fosse um passo atrás: em 2012, ele se juntou à SAP como um estagiário desempenhando outra função. Foi então que ele descobriu que tinha toda a razão: diversidade tem tudo a ver com inovação.“Sobretudo quando o assunto é tecnologia, é fundamental estar sempre à frente. Para que possamos ser inovadores, precisamos criar um ambiente de trabalho inclusivo que empodere os nossos colaboradores e permita a livre troca de ideias”.

Filipe começou na SAP no mesmo ano em que o Pride@SAP foi lançado no Brasil, e ele insistiu em se juntar à iniciativa desde o início. Foi naquele momento que percebeu como as relações de trabalho poderiam ser diferentes das experiências que tivera até então. Seu gestor à época o encorajou a juntar-se ao grupo, chegando até mesmo a dizer que isso seria essencial para o sucesso da equipe. Filipe soube então que não precisaria mais se esconder e que era chegada a hora de investir sua energia nesse novo projeto. Mal sabia ele que anos mais tarde viria a se tornar o líder do grupo no Brasil e co-líder para a América Latina.

Filipe se sentiu empoderado e quis ajudar outros a se sentir assim também – ele estimou, na verdade, que era sua responsabilidade a de transformar isso numa realidade. “A opção de se esconder e não fazer nada sempre existe, mas nós também podemos ser um exemplo a ser seguido, mostrar para as pessoas que elas podem ser quem elas de fato são. Quando você toma isso como uma responsabilidade sua, você se motiva ainda mais a causar um impacto na vida das pessoas”.

Desde então, ele tem focado todos os seus esforços nessa direção. A última coisa que Filipe quer é que outros tenham que passar pelo que ele passou nos primeiros anos de sua vida profissional. É por isso que criou, junto com o Pride@SAP,o LGBTI Summit, um evento intercorporativo que visa promovera inclusão no me rcado de trabalho LGBTI Summit, um evento intercorporativo que visa promover a inclusão no mercado de trabalho. A iniciativa já alcançou mais de 130 empresas. “Nós tínhamos a responsabilidade de impactar não somente a SAP, mas também a comunidade como um todo”.

Esse sentido de responsabilidade foi essencial para que Filipe se tornasse um embaixador da diversidade. Ele sempre se orgulhou de ser quem é, e, com o tempo, sentiu também a necessidade de levantar a bandeira da inclusão e se converter num agente de mudança. “Eu não era mais apenas uma pessoa com uma determinada característica, mas alguém com a responsabilidade de transformar minha comunidade.Estabeleci conexões com muita gente de bem que tinha os mesmos objetivos que eu, e isso mudou a minha vida”. Seu comprometimento já foi reconhecido diversas vezes. Do SAP Labs Latin America, Filipe recebeu em 2016 o prêmio “Embrace Differences” por sua colaboração com questões de diversidade dentro da empresa. Mais recentemente, foi citado na trigésima posição no ranking dos50 futuros líderes LGBT mais influentes do mundo, segundo o Financial Times.

Mesmo que a mudança no mundo corporativo não aconteça da noite para o dia, Filipe acredita que enaltecer a diversidade é o caminho para o futuro, e que, aos poucos, mais e mais empresas vão se dar conta de que perderão seus talentos se não souberem promover a inclusão. Em breve todos irão entender que diversidade é algo essencial não apenas para o bem-estar dos funcionários, mas também como uma estratégia de negócio. É isso o que o Pride@SAP quer mostrar quando se empenha em conscientizar os gestores: quando os nossos colaboradores se sentem seguros, eles deixam suas preocupações da porta para fora, seu desempenho melhora e eles se sentem livres para expressar o que pensam – um elemento-chave de qualquer ambiente inovador.

Ser você mesmo pode ser transformador, não apenas para você, mas também para os outros. É preciso entender que todos têm o potencial de vir a ser líderes, o que não significa ocupar uma posição de gerência, mas sim desenvolver a capacidade de influenciar positivamente a vida das pessoas e de mudar a realidade através de ações concretas. Quando as pessoas se conscientizam dessa responsabilidade, elas se sentem empoderadas e podem ajudar a mudar a realidade de outras pessoas”, disse Filipe, satisfeito com sua própria jornada de empoderamento, orgulho e liderança rumo a uma sociedade mais diversa e inclusiva.


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